domingo, 24 de julho de 2016

Vítimas do tempo


Em algum momento, o tempo começou a contar com uma precisão inacreditável, tornando cada segundo um fator determinante para minha formação, geneticamente falando, na adaptação bioexistencial para o meu existir nesta biosfera terrestre, e com as horas e os dias aliadas ao tempo, que formaram meses , eu nasci, descortinando o inacreditável, uma real ficção.
Foi neste momento que o tempo se tornou o elemento inevitável para a minha adaptação, fora da cápsula do útero maternal, como todos que renascem, eu surgi faminto pelo oxigênio e com diversas necessidades, e a partir daí o tempo se tornou em momentos um aliado, em outros um algoz, pois o tempo se tornou também um elemento das minhas ansiedades, cada vez tornando-se a cada momento direcionador que calculava os momentos em que eu interagia com toda a relação natural dos encontros e desencontros que esta vida nos proporciona. Até o momento onde a vida me levava a descobertas externas e internas em mim mesmo, eu apenas vivi o conflito natural de quem se relaciona com o tempo, na puberdade das mudanças naturais eu era ansioso para que o tempo passasse, e sem perceber, eu vivia uma ilusória ilusão de controlar o tempo para minha momentânea satisfação.
Foi quando me deparei com a necessidade de tentar deter o tempo, pois me sentia conduzido, levado pela velocidade do tempo que passava, tornando-se um algoz que levava a juventude e me apresentava um processo transformador aliado a uma experiência que me construía, moldado pela força da maturidade. E quando olho pra tudo que vivi, e que o tempo em nenhum momento ficou distante ao meu existir, percebo que o tempo silenciosamente nos questiona: O que tem feito do tempo que te dei para viver e aprender? E que tempo você tem dado aos valores sutis da vida? Algo simples, do ponto de vista daqueles que consideram grandiosos só os fenômenos que os promovem a grandes conquistas, mas e quando não restar mais tempo? O que lhe faltou para ser vivido em um curto período de tempo?

 Logo tudo fica banal, posses, vaidade, egos desenfreados e orgulhos doentios, e de repente o tempo sinaliza que na areia no medidor do tempo seu tempo esta acabando, e você o que fez do seu precioso tempo? Enxugou lágrimas? Ou as fez brotar na face de quem você não deu a mínima importância? Mas ainda há tempo, pois analisando o tempo nesta vida, o seu tempo é curto, mas o tempo da eternidade conta pelo medidor que transcende o tempo, ainda há tempo pra você valorizar o seu tempo.
 Autor
Carlos Reis Agni

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