quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Trecho do romance Lágrimas de um Espermatozoide

 
"Ele apanhou a bicicleta e seguimos em direção à casa de Helen. Depois de um longo percurso, avistamos sua casa. Ao aproximar-nos, eu a vi sentada numa cadeira, na varanda. Empurrei o portão e meu amigo me deu um sinal, avisando que teria que ir. Lentamente, então, aproximei-me dela, enquanto à distância podia sentir o pulsar de seu coração; parecia despertar com a energia que a envolvia, a cada passo que me levava ao seu encontro, subestimando até mesmo o limite da visão; era inegável que estávamos ligados pelo cósmico cordão umbilical que liga todas as almas gêmeas. Logo, curvei-me ao seu lado, tomei suas delicadas mãos e sob a recíproca energia que nos envolvia, beijei-a. Com a voz impregnada de ternura, ela falou-me:
– És tu, Donai?
Chorando, ela me abraçou.
– Por onde andaste?
– Estava pelos corredores da Vida, a procura de mim mesmo.
Ela, envolvida pela força e pelas mudanças que surpreenderam o nosso reencontro, abraçou-me fortemente, falando:
– Não sei do que falas, mas me deixes tocar-te para que eu possa me lembrar dos suaves traços de tua face.
Vendo-a com os olhos inundados de lágrimas, disse-lhe:
– Isso não deveria ter acontecido contigo.
– Por favor, ajuda-me a sair desta escuridão! Eu preciso voltar a ver a luz do dia; preciso ver o teu rosto novamente; preciso ver a Vida em volta de mim.
Beijando a sua face, disse-lhe:
– Eu vou ajudar-te! Prometo!
Após algum tempo abraçados, passei a contar-lhe, com detalhes, todas as coisas acontecidas comigo. Surpresa e sem entender, ela, segurando firmemente a minha mão, pediu que eu não me afastasse, pois todos os seus amigos haviam se afastado. Eu a abracei fortemente e falei:
– Não me afastarei de ti. Sabes o quanto eu te amo."
O milágre é possivel!

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